Cristina Bóia (Admin. da Extrusal) in DA Economia

10 de Maio, 2021

“A estratégia para este ano é continuar a satisfazer os nossos clientes, com soluções de vanguarda tecnológica”
À conversa com… Além do mercado nacional, a Extrusal tem clientes em três continentes: Europa, América e África. Este ano, a Extrusal prevê superar o volume de negócios de 2018.



Corria o ano de 1972, quando Carlos Lourenço Bóia fundou a Extrusal, hoje sediada em Aveiro. A empresa, que começou a laborar em 1974, surgiu quando o próprio, no decorrer da sua casa própria, detectou a falta de oferta de caixilharia em alumínio, um produto que “já era vulgar na Europa”.


De acordo com Cristina Bóia, administradora da Extrusal, a empresa é especializada, tal como o nome indica, na extrusão, maquinação e tratamento de superfície de perfis e peças em alumínio para o sector da indústria, e no desenvolvimento de sistemas em alumínio para a área da arquitectura.


“A qualidade e inovação das nossas soluções, desenvolvidas por nós ou com os nossos clientes, o serviço de excelência e a nossa contínua preocupação ambiental são alguns dos elementos diferenciadores dos nossos produtos no mercado”, avançou.
Empresa com certificações de qualidade Ao longo dos anos, a empresa tem vindo a ser acreditada por entidades europeias. Em 1983, recebeu a certificação do tratamento de superfície Qualanod, e em 1995, do tratamento de superfície Qualicoat.

Em 1997, a Extrusal foi a primeira empresa portuguesa a ser certificada na área de fabricação de matrizes, extrusão, anodização e termolacagem de perfis de alumínio. Pouco depois, em 2002, a Extrusal obteve a certificação do Sistema de Gestão Ambiental ISO 14001; em 2003, pela ISO 9001; em 2005, do tratamento de superfície com efeito madeira Qualideco; e em 2007, do tratamento de superfície Seaside. Efeitos da pandemia de COVID-19. A administradora da empresa explicou que o impacto da pandemia de COVID-19 se fez sentir, sobretudo entre Março e Junho de 2020. “Tivemos de reajustar e implementar medidas para minimizar esses impacto”, afirmou. Entre elas, destacam-se as seguintes: disponibilização de vários canais para informar e alertar a comunidade interna, criação de uma sala de isolamento, reajustamento
do “layout” dos escritórios para permitir o distanciamento social, desfasamento da utilização do refeitório, disponibilização de meios de higienização adicional, adopção de horários faseados e regime de teletrabalho, limitação de viagens e visitas e reforço das limpezas e desinfecção dos espaços. “Sentimos um abrandamento no sector da indústria em geral, com especial incidência no automóvel. Contudo, e até agora, o sector da construção continua imune aos efeitos da pandemia”, disse ainda.


Durante a primeira fase de confinamento, a Extrusal esteve em “lay-off” parcial (40%), de 13 de Abril a 30 de Junho de 2020. O turno de fim-desemana entrou em “lay-off” total neste período, tendo retomado o trabalho dois meses depois. Já na segunda fase de confinamento, que se iniciou a 14 de Janeiro deste ano, a Extrusal optou por trabalhar em regime de teletrabalho. No entanto, a parte produtiva esteve sempre a laborar em regime normal, mas com respeito com as directrizes ditadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para Cristina Bóia, “a satisfação do nosso compromisso com os clientes e parceiros obrigaram-nos a optar por esta via. Recorremos a moratórias dos financiamentos bancários e a linhas e outras medidas de apoio à retoma”.


Para além do mercado nacional, a Extrusal tem clientes distribuídos pelos três continentes: Europa, América e África. Exporta 70% da sua produção na área da indústria para a Europa e para a América, e 30% na área da arquitectura para a Europa e para a África.

As exportações directas representam 30%, sendo que estimamos que as exportações totais, incluindo as indirectas, atingem cerca de 70 a 80% do volume das vendas. De referir que a Extrusal tem polos logísticos em Cabo Verde, Moçambique e Angola para responder com maior prontidão aos clientes locais.


Em 2019, o volume de negócios foi de 43,9 milhões de euros, menos 5% do que valor referente ao ano de 2018, que foi de 46,5 milhões de euros. “O nosso volume de negócios depende não só das quantidades produzidas e vendidas, mas é fortemente influenciado pelo custo da matéria-prima principal. O que significa que podemos ter um volume de negócios mais ou menos elevado, sem que tal signifique forçosamente um acréscimo ou redução das quantidades produzidas e vendidas”, explicou.


Este ano, a Extrusal prevê superar o valor de 2018, que se justifica pelo aumento do preço da matéria-prima.

Evolução do mercado ao longo dos anos De acordo com a própria, a evolução do mercado e dos clientes é um desafio constante e, simultaneamente, uma força motivadora para melhorar. “A evolução do mercado exige mudanças, que nem sempre são fáceis, mas cabe a cada empresa antever, ser proactivo e definir a sua estratégia”, disse, recordando que “quanto maior a estrutura da empresa, maior o número de colaboradores e quanto maior o parque industrial da mesma, por vezes, mais complexa é essa mudança”.


Ao longo dos 49 anos, a Extrusal tem assistido a mudanças drásticas do paradigma de consumo, de mentalidades e formas de estar que trazem repercussões no método e organização do trabalho e no tipo de produto e serviço a apresentar ao mercado. “Se recuarmos até 1972, a rede dos transportes e comunicações eram realidades totalmente distintas das atuais, contudo a Extrusal sempre evoluiu, par a par, com essas mudanças, respondendo aos desafios que se foram colocando”, frisou. A empresa passou por vários desafios, entre eles, os grandes investimentos de 2006 a 2008, com vista a preparar o futuro e a entrada no sector automóvel, e a crise do “subprime” em 2008, que fez descer o valor da matéria-prima num montante idêntico à margem, a que se juntou a juntou a crise do sector bancário no país, em 2011 e nos anos seguintes. “Diríamos que os maiores desafios foram a criação duma empresa completamente inovadora à época entre 1972 e 1974, mais tarde, a criação e gestão do grupo comercial a partir de 1986 e, posteriormente, o ultrapassar da crise quase continua entre 2008 e 2013 a qual, ao contrário de muitas empresas, ultrapassámos”, constatou.


Perspectivas para o futuro Neste momento, a empresa está a realizar um estudo com o objectivo de analisar qual a melhor forma de dar resposta à procura dos seus produtos e serviços. Com o 50.º aniversário marcado para 2022, a empresa revelou que a sua estratégia continuará a ser satisfazer os seus clientes, com soluções de vanguarda tecnológica e submetidas a elevados critérios e padrões de qualidade, mas sempre com foco na nossa responsabilidade social e ambiental. “A nossa postura manter-se-á pautada pelo rigor, confiança e transparência”, rematou.


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